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Rebelva

"Que eu saiba, nunca nenhum dos nossos filólogos se ocupou da origem etimológica da Rebelva. Fá-lo agora o modesto autor deste opúsculo, crente de que alguma coisa poderá resultar, de proveitoso, de uma das duas hipóteses seguintes:

1.ª - Como se sabe, antes da adopção do sistema métrico decimal, e até muito depois, usava-se no País um sistema de pesos e medidas, que variava muito de região para região e até de concelho para concelho. Tanto para líquidos como para secos, havia, entre outras medidas, o alqueire, o cântaro, a quarta, etc. No século XIV, por exemplo, corria no Porto uma medida chamada quarta nova e, aparecia pouco depois, uma outra, de capacidade um pouco inferior, conhecida pelos nomes que a seguir reproduzo com a ortografia da época: rabalha, rabhalva, rrabalva e rabehabra.

Já se está a ver que aqueles que vendiam, ou tinham de pagar certos foros, se serviam da quarta rabalva, ao passo que os outros, os que compravam ou recebiam foros, optavam pela quarta nova, um tanto maior. Foi para evitarem questões resultantes da diferença de capacidade das duas quartas citadas que, em documentos daquele tempo, aparece expressamente designada a medida a utilizar na satisfação de determinados compromissos. Assim:

"Huum moyo de vinho, feito por quarta nova d'ante a rabalha. - Seis quartas de vinho, feitas per quarta nova do Porto d'ante a rrabalva. - Do vinho dade estivadamente huum sesteiro e vinho... e sser pela quarta do Porto, que ora anda dereyta rabhalva. - Dous puçais de vinho feitos per quarta dereyta do Porto, d'ante a rabehabra" (Doc. de Bostelo, do séc. XIV).

Teve, pois, largo uso no Norte uma medida chamada rabalva, vocábulo morfologicamente bem próximo de rebelva, mais próximo que de Ramalde, nome de uma freguesia do Porto, donde a rabalda proveio.

Como fica provado pelo extracto supra, a rabalva usava-se principalmente para o vinho, não sendo, portanto, de estranhar que o seu uso se estendesse a outras regiões vinhateiras do País, nomeadamente a Carcavelos, outrora cercada de vinhas afamadas, como as das quintas de Rana, Junqueiro, Alagoa, Cartaxeira e Lameiro, esta última ligada a Rebelva.

Em vista do que fica exposto, não me repugna crer que o étimo de Rebelva seja a antiga medida nortenha rabalva.

Não são poucas as povoações portuguesas com nomes de vasilhas e medidas antigas. Eis algumas: Cuba, Fanga, Légua, Moio, Pipa (25 lugares), Pipo (3 lugares), Pucarinho, Tulha, etc. 

2.ª Ninguém ignora que muitos nomes geográficos provieram de aves. Há aves em todos os pontos do globo: nos vales, nas florestas, nas mais altas montanhas, na beira-mar e até nos desertos. Entre as aves de rapina aquáticas figuram o guincho e a rabalva ou águia-pesqueira. O guincho deu nome a sítios vários do Continente e Ilhas, entre os quais a conhecida praia do mesmo nome. Que admira, pois, que a rabalva desse nome à Rebelva, situada à beira do oceano?

É por esta hipótese que eu me inclino com mais confiança.

Em 1758, a Rebelva (ant. Rabelva), tinha 34 fogos. Em 1960, 318 habitantes."

In Toponímia do Concelho de Cascais, de J. Diogo Correia, págs. 48-50, Edição da Câmara Municipal de Cascais, Cascais 1964

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