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 Mina

Clique para ampliar Na Rua do Comércio, no Bairro da Mina, encontra-se um torreão do aqueduto mandado construir pelo Marquês de Pombal com o intuito de fornecer água à sua quinta em Oeiras, actualmente a Estação Agronómica Nacional. No seu interior, um pequeno patamar oferece ao visitante a visão da água cristalina proveniente da nascente, à qual pode aceder descendo uma escadaria íngreme e estreita


 

Património histórico votado ao esquecimento

'A Freguesia de S. Domingos de Rana esconde verdadeiros tesouros históricos. Acompanhámos o presidente da junta, Manuel do Carmo Mendes, na descoberta do património edificado na sua autarquia.

Rumámos à Mina, bairro de génese ilegal, assim baptizado graças à nascente de água ali existente. O propósito desta visita prendia-se com o Torreão, cuja construção remonta aos tempos do Marquês de Pombal com a finalidade de alimentar a sua quinta, actualmente a Estação Agronómica Nacional.

Situado na Rua do Comércio, o Torreão, de aspecto robusto, encontra-se paredes-meias com uma casa. Do outro lado, contentores do lixo teimam em vulgarizar o monumento. Para piorar o quadro foi colocado um sinal de STOP junto à sua porta.

Resistindo à passagem do tempo, que apenas esbateu as pinturas que se adivinham ter embelezado o tecto, esta edificação apresenta um bom estado de conservação.

Guiados por Carlos Alberto Pais, entrámos no Torreão. A iluminação resume-se à luz que provém da porta e das pequenas janelas no tecto. À nossa frente, um espaço reduzido, semelhante a uma varanda, possibilitou a observação do caudal. Degraus estreitos de uma escadaria íngreme, em espiral, permitiram-nos chegar ao fundo, onde a água cristalina brota ininterruptamente da nascente.

Segundo afirmou Carlos Alberto Pais, o caudal tem permanecido idêntico ao longo dos tempos. Preocupado com a sua qualidade, informou-nos que, nas análises que mandou efectuar, a água da nascente foi classificada como um pouco calcária.

Do Torreão, a conduta de água continua pela Rua Marquês de Pombal, onde pudemos observar um respiradouro que passa quase despercebido por se encontrar rodeado de casas. De seguida, ruma à Estação Agronómica Nacional e, daí, parte para o mar.

Em 1978, a edilidade cascalense aproveitou este imenso caudal de água, desviando uma pequena parte do mesmo, para alimentar o chafariz que mandou edificar no centro do Bairro da Mina. Quando se verificam faltas de água, são muitas as pessoas que se deslocam ao local a fim de se abastecer. Tirando a utilização do chafariz, a água não é utilizada para nenhum outro fim, acabando por ser desperdiçada.

Na opinião do autarca local, 'a freguesia tem um património que, a pouco e pouco, se vai descobrindo'. Enquanto conservou o seu carácter rural, S. Domingos de Rana foi, durante muitos anos, 'esquecida'. Com a transformação em autarquia urbana, muitas das suas riquezas foram inventariadas. No entanto, outras encontram-se ainda por descobrir.

Fruto de 'uma grande indisciplina urbanística', os monumentos históricos da freguesia vivem de mãos dadas com construções ilegais. 'O cuidado com o património tem sido pouco', afirmou Manuel do Carmo Mendes, acrescentando que tal não tem contribuído para 'a defesa da nossa identidade, enquanto freguesia com passado'.

Segundo o autarca, desde sempre, 'a junta vem mostrando essa preocupação, defendendo o património, participando na sua reconstrução, de acordo com as suas possibilidades'.(…)

'Há atentados que dificilmente serão repostos mas, dentro daquilo que for possível ainda recuperar, iremos fazer o possível para o conseguir', garantiu o presidente da junta, adiantando que isto faz parte da 'requalificação, dignificação e valorização da nossa terra e, nesse sentido, há que unir esforços para a defesa deste património que é, afinal, a nossa identidade histórica'. '

 
“Património histórico votado ao esquecimento”, “Notícias da Freguesia” n.º 21 de Novembro e Dezembro 2000, S. Domingos de Rana, p.11 

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