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Ser voluntário em S. Domingos de Rana

21.07.2020

Conseguir abdicar de algumas horas em prol do próximo não está ao alcance de todos, mas S. Domingos de Rana conta com muitos residentes determinados em fazer a diferença e contribuir ativamente para tornar a freguesia um lugar melhor. Desde o início da pandemia, foram inúmeras as pessoas que responderam positivamente ao apelo desta autarquia, abraçando sem receios a missão de se colocar ao serviço de quem mais precisa. Compreendendo desde a entrega de máscaras descartáveis à realização de compras de supermercado e de farmácia, passando pela preparação e distribuição de refeições na Cozinha Comunitária, os voluntários permitiram à população mais vulnerável permanecer em confinamento e assim não correr riscos desnecessários.

Considerando o voluntariado fundamental para o bom funcionamento de uma comunidade, quisemos conhecer um pouco melhor alguns dos heróis que se disponibilizaram a “fazer o bem sem olhar a quem“, procurando perceber qual o trabalho por si realizado durante os últimos meses e o que cada um retirou desta experiência.

Segundo o padre Miguel Ribeiro, pároco de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda, o motivo que o levou a voluntariar-se foi o “espírito de missão” enquanto sacerdote, numa altura em que poderiam faltar candidatos. “Não podia ficar na linha de trás. Comecei em março, ainda antes do estado de emergência”, assumindo a responsabilidade de entregar máscaras e alimentos a quem necessitava. O mais relevante desta experiência para si talvez tenha sido a tomada de consciência que, “numa freguesia ativa, há muita gente com graves limitações. Fiquei impressionado. No dia-a-dia não se tem noção da existência de dificuldades muito sérias”.

A jovem Bárbara Loureiro, de 26 anos, começou o seu voluntariado na junta no início do mês de maio. Começou dar apoio na entrega de máscaras aos cidadãos residentes maiores de 65 anos, realizando desde o atendimento de chamadas à inserção de dados, passando pela preparação do material para cada agregado familiar e atribuição das zonas de distribuição aos diferentes voluntários. A interação com as pessoas permitiu-lhe ganhar consciência sobre a sua realidade. “Há sempre uma troca de preocupações e uma partilha de receios. Há quem tenha muito medo, só saindo mesmo quando necessário”, garantiu a voluntária, que “não tinha noção da realidade das pessoas, o que estas estão a viver e em que condições. Foi gratificante poder ajudar alguém”.

Morando perto da sede da junta, Alexandra Muller começou na Estudantina Recreativa de S. Domingos de Rana a vender máscaras. “Levei e fiz compras para pessoas com uma certa idade e ajudei na entrega de comida na cozinha comunitária”, afirmou a voluntária. Desta experiência retira “imenso. Uma sensação de entrega e de recebimento de alegria, carinho e bem-estar”, bem como o sentimento de “missão cumprida. Gosto de me sentir útil e, estando em layoff, ajudou-me imenso não ficar parada”.

Ajudar na Cozinha Comunitária

Com o início da pandemia, a Cozinha Comunitária de S. Domingos de Rana foi forçada a mudar completamente a sua logística, passando a apoiar não só pessoas sem-abrigo, como famílias carenciadas. De um dia para o outro, o equipamento passou a apoiar mais de 185 pessoas. Segundo o coordenador do CASA CASCAIS, José Luís Ovelha, entre 30 e 40 voluntários encarregam-se semanalmente de fazer a comida, limpar o espaço e distribuir as refeições por todo o concelho a pessoas referenciadas pela Junta de S. Domingos de Rana e outras instituições. “Esta tem sido uma experiência enriquecedora que dá oportunidade aos voluntários de pôr em prática um dos atos mais nobres: sairmos da nossa zona de conforto e partilharmos o nosso bom coração para o bem de todos os seres”, assegurou o responsável, agradecendo a dádiva de bens alimentares e candidatos a novos voluntários.  

Sempre alerta

Esta autarquia contou com a preciosa colaboração dos três agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas, nomeadamente o Agrupamento 113 de S. Domingos de Rana, do Agrupamento 597 de Tires e o Agrupamento 1400 da Conceição da Abóboda, bem como da 1.ª Companhia de S. Domingos de Rana da Associação Guias de Portugal.

Para o chefe do Agrupamento 113 de S. Domingos de Rana, Nuno Martins, “sendo escuteiro há bastantes anos, o voluntariado acaba por ser uma forma de estar na vida, procurando sempre contribuir para deixar este mundo um pouco melhor”. Perante a situação de pandemia, o dirigente viu neste desafio “a oportunidade de podermos fazer diferença junto de pessoas mais idosas e/ou com menos saúde, com gestos e atitudes bastante simples da nossa parte”. Nesta situação específica, “até considero que o voluntariado acabou por ser muito reduzido, uma vez que me limitei a ir às compras para uma pessoa que praticamente mora do outro lado da minha rua. Já sou voluntário desde 1992 em S. Domingos de Rana, ano em que participei na reabertura do nosso agrupamento, tentando contribuir para a formação integral e desenvolvimento dos nossos escuteiros ao longo destes 28 anos. Citando a oração de S. Francisco de Assis "É dando que se recebe”, o chefe do agrupamento retira desta experiência “uma enorme riqueza”.

Face à atual situação do país, Eduarda Amorim, da 1.ª Companhia de S. Domingos de Rana da Associação Guias de Portugal, na qual um dos eixos fundamentais é o serviço à comunidade, não conseguiu ficar indiferente. “Junto com a minha companhia, decidimos contactar a junta e perceber quais eram as principais necessidades”, disse, explicando que “trabalham com esta autarquia desde sempre, quer seja indiretamente ou diretamente”. Segundo a jovem, “temos vindo a realizar recolhas de alimentos para a Cozinha Comunitária. Se fizermos um esforço extra, conseguimos não só mover a nossa companhia, mas também muitos dos moradores de S. Domingos de Rana para ajudarem” na angariação.

Satisfação dos utentes

Entre os inúmeros cidadãos seniores que beneficiaram do trabalho levado a cabo por voluntários na Freguesia de S. Domingos de Rana, foram recolhidos aleatoriamente dois testemunhos, com a finalidade de apurar o grau de satisfação junto da população-alvo.   

Residente em Matarraque, a utente de 73 anos teve conhecimento da Linha de Apoio da autarquia através de uma conhecida. Recorreu pela primeira vez à mesma para pedir máscaras e, de seguida, solicitou ajuda para a obtenção de medicação. Uma vez que foi operada há relativamente pouco tempo, a idosa tem receio de andar de transportes públicos e socorreu-se dos voluntários da junta para suprir as suas necessidades. “Têm sido impecáveis comigo. Estou muito satisfeita com o apoio que me tem sido prestado”, afiançou a utente.

Com 78 anos, outro sénior, este residente no Penedo, contactou a junta de freguesia com a finalidade de obter máscaras gratuitas. Na sua opinião, a voluntária com que costuma articular “tem sido impecável” e, “numa escala de um a dez, dava-lhe um dez”. Recorda-se que a primeira entrega de máscaras foi feita por escuteiros e que também correu muito bem. Embora tenha optado por sair de casa só em situações de extrema necessidade, os problemas de saúde obrigam-no a ir regularmente a consultas médicas, o que faz com que precise de solicitar máscaras com frequência.

“A Junta de S. Domingos de Rana agradece aos voluntários toda a disponibilidade e solidariedade por tudo o que fazem”, referiu a presidente da autarquia, Maria Fernanda Gonçalves, concluindo que “é louvável a entrega destes nossos heróis, que dão o melhor de si em prol de quem mais precisa, contribuindo assim fortemente para fazer a diferença em tempos de pandemia”.

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